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Varejo: Usado cabe no bolso


Com o preço dos usados despencando, o momento não é bom para quem pretende trocar o modelo de segunda mão por outro mais novo ou mesmo um zero-km. Mas se a ideia é comprar um carro rodado, seja à vista ou a prazo, a hora é excelente.

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Desde a redução do IPI para os zero-km o preço dos usados, que já estava em declínio, vem despencando. Entre os dias 23 de maio, logo após anúncio da medida, e 22 de junho, a depreciação média dos veículos fabricados de 1998 a 2011 foi de 3,7%, segundo o InformEstado, responsável pela pesquisa de preço publicadas às quartas-feiras no JC. Em alguns casos, a redução no período beira os 17%.
Para quem pode pagar à vista, há boas oportunidades. Após muita pesquisa, o autônomo Ivan Marcos veio de Cajamar à capital comprar um Toyota Corolla SE-G 2003. Pagou R$ 26 mil, ou R$ 3,6 mil abaixo da média apurada pelo jornal. “Preferi um carro mais antigo e com conforto. Os preços estão bons.”
Mas há vantagens também a prazo. O operário Tiago Santos resolveu deixar de andar a pé e, após um tempo sem carro, levou para casa um Fiat Palio 1.0 EL 2002 por R$ 9.900. “Os preços dos usados caíram muito e eu adorei. Ônibus nunca mais.”
O cantor sertanejo Carlos Porceno é outro que apostou no financiamento para presentear o filho Cristian, que acaba de completar 18 anos, com um Fiat Siena 1.0 Fire 2005. Ele diz que fez um bom negócio. “Deram 8% de desconto e alguns acessórios.”
Já para quem pretende trocar o usado por outro mais novo a coisa complica. A cabeleireira Cláudia Bandeira queria vender seu Palio 1.0 Fire 2004 e comprar um carro zero-km, mas mudou de ideia ao constatar os valores oferecidos pelas autorizadas no seu Fiat. “Queriam dar R$ 9 mil. Ele vale R$ 13 mil na tabela.”
Ela também se assustou com os preços dos novos, onerados por despesas como emplacamento e documentação. “Um Uno básico sai por R$ 27 mil e o Gol, por até R$ 33 mil”.
Cláudia estava prestes a levar um Voyage 2009, por R$ 22 mil, mas hesitava porque o carro não tem ar-condicionado e direção hidráulica. “A redução do IPI está acabando e fico ansiosa por ter de decidir logo”, diz.
O economista Luiz Jacobsen quer dar seu Vectra 2011 na troca por outro usado. Descontente com as ofertas das autorizadas, ele recorreu às lojas independentes. “Na Ford dariam só R$ 30 mil no meu carro para empurrar um Fusion antigo.” Ele se animou com um Hyundai ix35 2011 a R$ 85 mil. “Ao menos ofereceram R$ 35 mil no Vectra.” Belisa Frangione, Diego Ortiz e Thiago Lasco
Dicas para uma boa compra – A primeira recomendação antes de fechar negócio e fazer contas para saber se o custo total do veículo cabe no orçamento mensal. Se a compra for financiada, o valor das parcelas não deve comprometer mais do que 25% da renda.
“O brasileiro age muito na base do ‘Se Deus quiser vai dar certo’, e isso está errado”, afirma o professor de matemática financeira José Dutra Sobrinho, da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi).
O correto, de acordo com ele, é fazer um orçamento doméstico detalhado, incluindo até os pequenos gastos. “Cinema, estacionamento, barzinho… Somando tudo, o consumidor vai ver que eles comprometem uma grande parcela da renda.”
O professor também recomenda evitar financiamentos com prazos muito longos e pesquisar as taxas de juros. “No total, a diferença pequena se torna muito grande.”
A compra realizada em estabelecimento comercial (concessionárias e lojas) é regida pelo Código de Defesa do Consumidor, que permite resolver eventuais problemas de maneira menos burocrática que o Código Civil, utilizado nos negócios entre pessoas físicas.
Conforme a assessora técnica do Procon–SP, Leila Cordeiro, o consumidor deve fazer um levantamento para saber se o veículo tem multas, se está alienado ou com algum bloqueio.
Para a checar a mecânica e o estado geral do carro, deve-se exigir o certificado de inspeção técnica. O serviço deve ser pago pelo vendedor – particular ou loja – e custa de R$ 100 a R$ 120.
Fechado o negócio, o veículo tem garantia de 90 dias. Caso surja algum problema nesse período, o vendedor tem 30 dias para providenciar o reparo. “Se houver vício oculto, o prazo passa a correr quando o defeito surgir”, diz Leila.
Ela recomenda documentar tudo, de preferência na nota fiscal. “É a prova do consumidor em caso de problema.”
Preços devem ficar estáveis - Os próximos dias são o melhor momento para comprar um usado, desde que se tenha dinheiro na mão. Os preços dos modelos de segunda mão não devem cair mais, segundo especialistas. E há risco de aumento a partir do início de setembro, se o governo federal não prorrogar a redução do IPI para os zero-km. Caso isso não ocorra, o benefício será encerrado no dia 31 de agosto.
Presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), Flavio Meneghetti acredita que, se a alíquota do IPI voltar aos patamares anteriores, os preços dos usados vão acompanhar imediatamente a tendência de reajuste dos novos.
Já o consultor da ADK Automotive Paulo Roberto Garbossa acredita que, mesmo com a volta do IPI integral, os valores dos usados não devem subir no primeiro momento. De acordo com ele, mesmo que o reajuste ocorra, será bem menor que no caso dos novos. “Mas se o consumidor está planejando comprar um usado, deve fazer agora”, aconselha o especialista. “Afinal, chance de reajuste sempre existe.”
Garbossa afirma que o ideal é que o interessado feche negócio apenas se tiver dinheiro em caixa e se não precisar dar outro modelo de segunda mão na troca. “No momento, as lojas estão pagando muito pouco para quem precisa trocar”, diz.
De acordo com os especialistas, não foi apenas a redução do IPI para os modelos novos que derrubou os preços dos usados. “O acesso ao crédito está difícil e, atualmente, apenas 30% dos pedidos de financiamento para a compra de usados estão sendo aprovados”, diz Meneghetti. “Quando pode pagar à vista, o cliente sempre vai pedir um desconto maior”, afirma Garbossa.

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